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	Commenti a: Cento di questi giorni!	</title>
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		<title>
		Di: F		</title>
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		<dc:creator><![CDATA[F]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 10:51:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[non c&#039;è dubbio che la lingua scritta sia anche un sistema esoterico fatto di segni e rune e cunei che possono creare mondi. Per questo, come formula magica, lascio qui la versione originale e lusitana della centuria di Cristina Galhardo, da masticare in caso di necessità.

Do vermelho e de mil novecentos e noventa e dois

Não, não e não. 
Dizia isso na aula, de cara vermelha, como vermelha era a tinta que ditou a sentença na prova escrita. A professora, não de carrapito ou óculos, mas jeans e túnica, explodia de exasperação. E dizia Não. Como é possível. Enganaste-te a escrever o número, verdade? Só pode ser isso, é isso certamente. Mas então como te enganas em contínuo, como te atreves, após seres corrigido na sala, a repetir por escrito estas barbaridades na prova?
Os colegas dividiam-se entre o riso e os olhos arregalados de espanto perante semelhantes disparates do colega.
Vê se enfias isto na cabeça de uma vez por todas, não tolero mais tolices. Mas tu sabes muito bem, fazes isto só para me aborrecer. Mas vai custar-te caro. Olha para mim: a-ca-bou em mil no-ve-cen-tos e no-ven-ta e doissssss. Noventa e dois! Mal tinhas nascido! Olha em volta. Por acaso vê-la? Escuta bem, e abria ainda mais os olhos, como se fossem eles a fonte dos sons estridentes, aos três de Maio de no-ven-ta e dois, acentuando tanto o número par, para então debitar como as cassetes velhas lá de casa a mensagem transmitida nos manuais escolares, o exército da república fez finalmente um cerco eficiente à guerrilha e capturou o líder dos rebeldes, justamente julgado e executado. Que julgas que celebramos então nesse dia, a libertação das minhocas? Amanhã, ouve bem, vais ler para a turma um texto onde, de uma vez por todas, acertes com a realidade. Que com ela não se brinca. Não estamos a falar de um qualquer país perdido lá no longe. Só brinca com guerra quem nunca a viveu.
Livros desarrumados na sacola, pés arrastando para casa, onde parece que não é o tal presente que lhe exigem. 
À mesa de jantar, entre a colher de sopa e as recomendações da mãe – não manches o pijama -, ouve-se o rasto dos bichos voadores que atravessam as cidades crescidas para junto de aerogares feitas há muitos anos, para sonhar com outros vôos. E agora, como desde que se conhece, não evita o impulso de se esconder debaixo da mesa. O pai não faz um gesto igual, mas a mão treme e pára de levar a colher à boca, fecha os olhos e se concentra, já vai passar, já vai passar, passou. Esta noite tem desculpa para não ficar à mesa a escutar mais nada, tem de fazer deveres da escola. 
A professora ri quando vê a página salpicada de vermelho, trabalho cumprido.
Menino, a vermelho... quer me imitar ou isso é amor?
Aos três de Maio de mil novecentos e noventa e dois, acabou a guerra em nosso país, aos três de Maio não mais o barulho que ensurdece minhas noites, mas ele está lá, nos mãos do pai quando tapa ouvidos porque não cabe mais nada em nós, e ele não sabe se nos deve nessa noite arrastar para debaixo da cama que aí vêm obuses se são os seus que o vêm buscar para momento de mais paz, agora já não arrasta a mim e meu irmão, tem só o primeiro olhar de terror e depois lembra, mas barulho continua a morar em minha casa, são as noites passadas em branco porque ele tem de falar e eu de escutar porque se mais ninguém escuta tenho medo que ele rebente só e não tenha ninguém para recolher pedaços, são os gritos do pai, de noite lembrando que não posso sonhar porque ele diz eu fiz aquilo eu fiz aquilo como pude fazer aquilo, são as manhãs em que faz a barba e se mente dizendo que está tudo bem e vai trabalhar, são as horas que fica se lavando do sangue que a água não lhe consegue tirar e ele berra não consigo tirar isto debaixo das unhas e eu olho e não posso mentir, tem lá o sangue, e já não sei se é só o dele de tanto esfregar ou o outro ou se ambos se confundiram e nunca mais vai sair o vermelho dali, de mim e de seus olhos e parece que não foi ainda mil novecentos e noventa e dois.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>non c&#8217;è dubbio che la lingua scritta sia anche un sistema esoterico fatto di segni e rune e cunei che possono creare mondi. Per questo, come formula magica, lascio qui la versione originale e lusitana della centuria di Cristina Galhardo, da masticare in caso di necessità.</p>
<p>Do vermelho e de mil novecentos e noventa e dois</p>
<p>Não, não e não.<br />
Dizia isso na aula, de cara vermelha, como vermelha era a tinta que ditou a sentença na prova escrita. A professora, não de carrapito ou óculos, mas jeans e túnica, explodia de exasperação. E dizia Não. Como é possível. Enganaste-te a escrever o número, verdade? Só pode ser isso, é isso certamente. Mas então como te enganas em contínuo, como te atreves, após seres corrigido na sala, a repetir por escrito estas barbaridades na prova?<br />
Os colegas dividiam-se entre o riso e os olhos arregalados de espanto perante semelhantes disparates do colega.<br />
Vê se enfias isto na cabeça de uma vez por todas, não tolero mais tolices. Mas tu sabes muito bem, fazes isto só para me aborrecer. Mas vai custar-te caro. Olha para mim: a-ca-bou em mil no-ve-cen-tos e no-ven-ta e doissssss. Noventa e dois! Mal tinhas nascido! Olha em volta. Por acaso vê-la? Escuta bem, e abria ainda mais os olhos, como se fossem eles a fonte dos sons estridentes, aos três de Maio de no-ven-ta e dois, acentuando tanto o número par, para então debitar como as cassetes velhas lá de casa a mensagem transmitida nos manuais escolares, o exército da república fez finalmente um cerco eficiente à guerrilha e capturou o líder dos rebeldes, justamente julgado e executado. Que julgas que celebramos então nesse dia, a libertação das minhocas? Amanhã, ouve bem, vais ler para a turma um texto onde, de uma vez por todas, acertes com a realidade. Que com ela não se brinca. Não estamos a falar de um qualquer país perdido lá no longe. Só brinca com guerra quem nunca a viveu.<br />
Livros desarrumados na sacola, pés arrastando para casa, onde parece que não é o tal presente que lhe exigem.<br />
À mesa de jantar, entre a colher de sopa e as recomendações da mãe – não manches o pijama -, ouve-se o rasto dos bichos voadores que atravessam as cidades crescidas para junto de aerogares feitas há muitos anos, para sonhar com outros vôos. E agora, como desde que se conhece, não evita o impulso de se esconder debaixo da mesa. O pai não faz um gesto igual, mas a mão treme e pára de levar a colher à boca, fecha os olhos e se concentra, já vai passar, já vai passar, passou. Esta noite tem desculpa para não ficar à mesa a escutar mais nada, tem de fazer deveres da escola.<br />
A professora ri quando vê a página salpicada de vermelho, trabalho cumprido.<br />
Menino, a vermelho&#8230; quer me imitar ou isso é amor?<br />
Aos três de Maio de mil novecentos e noventa e dois, acabou a guerra em nosso país, aos três de Maio não mais o barulho que ensurdece minhas noites, mas ele está lá, nos mãos do pai quando tapa ouvidos porque não cabe mais nada em nós, e ele não sabe se nos deve nessa noite arrastar para debaixo da cama que aí vêm obuses se são os seus que o vêm buscar para momento de mais paz, agora já não arrasta a mim e meu irmão, tem só o primeiro olhar de terror e depois lembra, mas barulho continua a morar em minha casa, são as noites passadas em branco porque ele tem de falar e eu de escutar porque se mais ninguém escuta tenho medo que ele rebente só e não tenha ninguém para recolher pedaços, são os gritos do pai, de noite lembrando que não posso sonhar porque ele diz eu fiz aquilo eu fiz aquilo como pude fazer aquilo, são as manhãs em que faz a barba e se mente dizendo que está tudo bem e vai trabalhar, são as horas que fica se lavando do sangue que a água não lhe consegue tirar e ele berra não consigo tirar isto debaixo das unhas e eu olho e não posso mentir, tem lá o sangue, e já não sei se é só o dele de tanto esfregar ou o outro ou se ambos se confundiram e nunca mais vai sair o vermelho dali, de mim e de seus olhos e parece que não foi ainda mil novecentos e noventa e dois.</p>
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		<title>
		Di: yanez De gomera		</title>
		<link>https://staging.nazioneindiana.com/2010/02/26/cento-di-questi-giorni/#comment-130090</link>

		<dc:creator><![CDATA[yanez De gomera]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 18:31:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Ottima iniziativa. :) 
Ho apprezzato molto la possibilità di poter spedire un racconto in pdf a qualcuno, con tre semplici click.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ottima iniziativa. :)<br />
Ho apprezzato molto la possibilità di poter spedire un racconto in pdf a qualcuno, con tre semplici click.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Di: carmine vitale		</title>
		<link>https://staging.nazioneindiana.com/2010/02/26/cento-di-questi-giorni/#comment-130085</link>

		<dc:creator><![CDATA[carmine vitale]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 17:05:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[una iniziative molto bella
con l&#039;idea di fondo di spargere lettere oltre ogni frontiera
nessun bisogno di far sapere
solo voci
grazie
c.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>una iniziative molto bella<br />
con l&#8217;idea di fondo di spargere lettere oltre ogni frontiera<br />
nessun bisogno di far sapere<br />
solo voci<br />
grazie<br />
c.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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		<title>
		Di: véronique vergé		</title>
		<link>https://staging.nazioneindiana.com/2010/02/26/cento-di-questi-giorni/#comment-130061</link>

		<dc:creator><![CDATA[véronique vergé]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 12:47:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Qualcosa che esplode nel cuore.
Una minaccia nella casa, una follia paterna.
La scrittura sa della guerra fuori e dentro,
della paura che scorre in una casa,
venuta a morire in un quaderno.


E&#039; un bellissimo testo.
Ho lasciato due testi a Parigi, non so se qualcuno
ha letto. Lo spero.  Era quasi  un dolore lasciare le
pagine alla fortuna.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualcosa che esplode nel cuore.<br />
Una minaccia nella casa, una follia paterna.<br />
La scrittura sa della guerra fuori e dentro,<br />
della paura che scorre in una casa,<br />
venuta a morire in un quaderno.</p>
<p>E&#8217; un bellissimo testo.<br />
Ho lasciato due testi a Parigi, non so se qualcuno<br />
ha letto. Lo spero.  Era quasi  un dolore lasciare le<br />
pagine alla fortuna.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		Di: Milena		</title>
		<link>https://staging.nazioneindiana.com/2010/02/26/cento-di-questi-giorni/#comment-130054</link>

		<dc:creator><![CDATA[Milena]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 11:35:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[&quot; Gioca con la guerra soltanto chi non la conosce&quot;

Un grazie a Cristina ed alla sua voce, un grazie a chi ha dato spazio alla sua di voce ed alle altre piccole microcenturie ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8221; Gioca con la guerra soltanto chi non la conosce&#8221;</p>
<p>Un grazie a Cristina ed alla sua voce, un grazie a chi ha dato spazio alla sua di voce ed alle altre piccole microcenturie &#8230;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>
		Di: F		</title>
		<link>https://staging.nazioneindiana.com/2010/02/26/cento-di-questi-giorni/#comment-130052</link>

		<dc:creator><![CDATA[F]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 11:01:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[questo brano, in una lingua dal ritmo così particolare, anche se nasce da lontano trova cittadinanza a ogni latitudine.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>questo brano, in una lingua dal ritmo così particolare, anche se nasce da lontano trova cittadinanza a ogni latitudine.</p>
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